FísicosLX

segunda-feira, junho 07, 2004

Estamos todos a enlouquecer?

Uma situação delicada passada recentemente com um colega, fez-me pensar na necessidade de um estudo sobre a saúde mental dos bolseiros, ex-bolseiros e candidatos a bolseiros de investigação portugueses. Somos de certeza uma classe não-representativa da população, mas ainda assim com significado estatístico (7 mil bolseiros de investigação, li num jornal). A um questionário onde se perguntasse se estivemos nos últimos anos deprimidos ao ponto de procurarmos ajuda médica, mais de metade de nós responderiam que sim. Se o detalhe fosse mais longe e, dentre os outros, se inquirisse quantos acham que deveriam ter procurado ajuda ou que precisam de ser ajudados a superar uma depressão, estou convencida que os restantes diriam também que sim.

Estimando por alto, só para ter uma ordem de grandeza do problema, eu diria que 100% dos bolseiros de investigação passam por fases graves de depressão. Se juntarmos a esse número 3% de incerteza, o palpite passa a quase-verdade.

Somos uns privilegiados, fazemos na vida aquilo que escolhemos, ganhamos bem (atendendo aos padrões portugueses), não trabalhamos demais (outra vez os padrões portugueses), viajamos muito. À primeira vista, nada parece justificar o desânimo generalizado. E no entanto...

O colóquio recente sobre o futuro científico em Portugal trouxe o assunto para os jornais. Ministros cantam-nos loas, fazem promessas de milhões de euros, promessas de milhares de novas bolsas, promessas de empregos que hão-de vir. Pintam um futuro radioso para a Ciência portuguesa - mas nós, que futuro é o nosso? Porque, ao mesmo tempo que no-lo dizem, vão juntando que "as bolsas são e têm de ser de carácter temporário"... Eu, como alguns de vocês, faço investigação há quase 10 anos (sim,o tempo passa tão depressa...), graças às sucessivas bolsas da FCT e do instituto onde estou. Esperam que ao fim de todo este tempo e esforço, passado já o limiar dos 30 há anos, eu vá à procura de emprego onde? Que contributo posso eu dar para a rudimentar indústria portuguesa - eu, vinda da física fundamental, e todos aqueles que vêm de áreas teóricas e/ou não-aplicadas? Que empregador vai querer pagar-nos uma sobre-qualificação de que não precisa?

Talvez o "carácter temporário" que querem dar às bolsas portuguesas signifique que esperam que procuremos financiamento fora do país. Como muitos de nós, de resto, temos feito. E propoem que regressemos já perto da reforma (que, a propósito, dificilmente nos quererão pagar, visto que nunca teremos sido "contribuintes"), depois dos famosos 100 artigos em revistas científicas e 10 orientandos de doutoramento. A dificuldade está no entre-tempo...

Os efeitos colaterais disto tudo são evidentes. Mesmo assim, alguns de nós escolhemos continuar. Procurar novo financiamento todos os 2 ou 3 anos. Mudar de país,de casa e de amigos com a mesma periodicidade. Estar longe da família. E adiar a "vida normal" (casar, ter filhos, ter férias no Verão, pertencer a um local,...) por tempo indeterminado.

Num país onde a taxa de analfabetismo é ainda de 8%, e onde a taxa de analfabetismo funcional ultrapassa de certeza os 50%, somos uma elite perdida num mar de contradições. Entre aqueles que nos tecem louvores e os outros que nos consideram um inútil sumidouro de dinheiro (às vezes os mesmos...), perguntamo-nos se vale mesmo a pena (pessoal e socialmente falando). Deslumbrados por termos chegado tão longe, deprimidos por não nos vermos chegar a lado nenhum. Acreditámos que podíamos ter tudo. Mas o sonho é como um castelo de cartas numa corrente-de-ar.

12 :

  • Muito bem escrito, o texto. Infelizmente, a traduzir uma triste realidade que devia ser do conhecimento de mais gente. Por que não enviar este texto para o Público, ou o ministro da tutela, ou o presidente da República, ou os responsáveis sectoriais dos vários partidos?

    Bertrand Russell dizia, no livro "A Conquista da Felicidade", que ser investigador científico era a mais gratificante das profissões... Mas, claro, Bertrand Russell viveu num tempo de relativa estabilidade no emprego dos cientistas...

    Mas serão só os bolseiros que estão a enlouquecer? O que dizer de todos os outros que fizeram cursos superiores e estão a trabalhar em caixas de supermercado? Os artistas e cientistas sempre foram conotados com a extravagância e, consequentemente, com a instabilidade, relativamente a todos os outros mortais que simplesmente vão levando a sua "vidinha". Quando a noção de carreira profissional está a terminar, para tantas profissões clássicas, quando a noção de vocação está a ser substituída pela necessidade esquizofrénica do "mercado" de que os trabalhadores se adaptem alucinantemente a tudo, e sejam sempre muito produtivos... acha-se talvez normal que a investigação científica se faça em condições de quase insanidade.

    Houve até um primeiro-ministro que achava que assim se estimulava a criatividade... Um primeiro-ministro que não compreendeu que a ciência não se faz com amadorismo, mas com método.

    O que se passa em Portugal é fruto das nossas condições naturais desfavoráveis, da nossa história ainda recente com desenvolvimentos pouco ponderados, da nossa incapacidade de discutir os problemas a fundo para lá das ideologias, nomeadamente em assuntos que nada têm de ideológico e poderiam - deveriam! - merecer o consenso de todos os partidos que se interessam (ou deveriam interessar) pelo futuro do nosso país.

    Entretanto, pagam-se milhões aos futebolistas e treinadores de futebol, enquanto os respectivos clubes são isentados de impostos, mesmo quando vendem terrenos que lhes foram doados por autarquias e mesmo quando acabam com as modalidades amadoras, que seriam a função de interesse público que desempenhariam. O estado demite-se do seu papel de rectificador da economia, e os partidos com possibilidade de governar estão de acordo nisso…

    Neste cenário, restaria, então, aos cientistas criar as suas próprias empresas de ponta, procurando, quem sabe, financiamento externo... Li há poucos dias que um cientista no Reino Unido descobriu um produto que evita que as feridas deixem cicatrizes – muito útil para as cirurgias, por exemplo. O medicamento está em fase de testes em humanos, e ele saiu do local em que investigava, que era público, para fundar uma empresa sua. Suponho que é isto que os nossos políticos neo-liberais esperam que os melhores cérebros façam…

    Como é dito no texto, os investigadores e cientistas têm a possibilidade de viajar e morar em países diferentes e, a partir daí, “dar o salto”, ou seja, cortar o cordão umbilical com Portugal. Tendo realmente conhecimentos valorizados no estrangeiro, e tendo o nosso país todos os defeitos tão facilmente identificáveis, e que tão cedo não vão desaparecer, por que não ficar com quem valoriza o que tem valor?

    Já Camões morreu faminto…


    enviado por Blogger Aristarco em junho 07, 2004 10:49 da tarde  


  • Camões e a tença


    Irás ao paço. Irás pedir que a tença
    Seja paga na data combinada.
    Este país te mata lentamente
    País que tu chamaste e não responde
    País que tu nomeias e não nasce.

    Em tua perdição se conjuraram
    Calúnias desamor inveja ardente
    E sempre os inimigos sobejaram
    A quem ousou ser mais que a outra gente.

    E aqueles que invoscaste não te viram
    Porque estavam curvados e dobrados
    Pela paciência cuja mão de cinza
    Tinha apagado os olhos no seu rosto.

    Irás ao paço irás pacientemente
    Pois não te pedem canto mas paciência.

    Este país te mata lentamente.



    Sophia de Mello Breyner Andresen, Grades (1970)


    *******

    A fome de Camões


    Este vulto, portanto, que caminha
    Altas horas, ao frio das nortadas,
    É Camões que se definha
    Nas ruas de Lisboa abandonadas.
    É Camões que a sorte vil, mesquinha,
    Faz em noites de fome torturadas,
    Ele o velho cantor de heróis guerreiros!...
    Vagar errante como os vis rafeiros.

    Morreu-lhe o escravo, o seu fiel amigo,
    O seu amparo e seu bordão no mundo,
    Morreu-lhe o humilde companheiro antigo,
    No seu vácuo deixando um vácuo fundo.
    Hoje, pois, triste, velho, sem abrigo,
    Faminto, abandonado e vagabundo,
    Tenta esmolar também pelas esquinas.
    Ó lágrimas!... Ó glória! Ó ruínas!...



    Gomes Leal, A fome de Camões


    enviado por Blogger Aristarco em junho 07, 2004 10:54 da tarde  


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    enviado por Blogger Aristarco em junho 07, 2004 11:01 da tarde  


  • Trágico mas muito interessante. Parabéns à autora.
    P.L.


    enviado por Blogger Paulo Lopes em janeiro 24, 2005 10:14 da manhã  


  • Está alguem aí???
    O problema não é do caminho escolhido é de uma geração cujos pais disseram "O mais importante é escolheres uma profissão com futuro...", quando isso do "com futuro" fazia sentido. De repente, estávamos nós a tirar os cursos e o "com futuro" deixou de fazer sentido... Quem se "escapou" quando percebeu o que isto ia dar não está melhor, só parece... É claro que esistem os "termoestáticos" mas esses caem sempre de pé!
    Tirem-me deste filme que eu, abandonei as bolsas, a investigação, mas tou a ficar doido(a) com isto ...quero voltar!!!!!! e ficar doido(a) com a insegurança das bolsas!!!! e quero ter uma vida (a)normal.


    enviado por Anonymous Anónimo em maio 12, 2005 10:05 da tarde  


  • o texto está sublime .
    mas não temos culpa de gostar de coisas que os que têm o poder , vulgo governantes , ignoram ou simplesmente não sabem que existem . a fisica justifica quase tudo , entao "senhores" deem -nos o devido respeito.

    gostei muito do blog especialemte deste post contnua


    enviado por Blogger quarkup em novembro 30, 2005 9:16 da tarde  


  • E com grande interesse e ao mesmo tempo tristeza que li este texto. Identifiquei-me com ele 100%. Estudei em Inglaterra durante 4 anos acabando por finalizar um Mestrado. Apos o seu termo, decidi voltar para o meu Pais. Na altura, lia extractos de jornais a dizerem que a Ciencia Portuguesa iria ser impulsionada, mais financiada, havera mais incentivos para trazer ex-patriados para Portugal, etc, etc, etc,...
    Cheguei em 1997. Fiquei no desemprego durante um Ano. Porque? Porque simplesmente anuncios publicos (aqueles que sao publicados na Imprensa nacional de modo a todos terem acesso e garantir uma politica social/economica/laboral equitativa)nao existiam. O MCT fomentava (como ainda fomenta) esta disparidade laboral fornecendo a alternativa de uma pagina na internet. Pois, tipico portugues!!!! Todos aqueles que nao tem internet mas tem as qualificacoes e experiencia necessarias, ficariam de fora. Enviei o meu pouco e magro CV da altura a todos os laboratorios que encontrava atraves da Medline, servico que a biblioteca do INSTITUTO PORTUGUES DE ONCOLOGIA - Dr Francisco Gentil disponibiliza gratuitamente. Impressoes e mais impressoes de moradas, trabalhos publicados pelos investigadores,selos de correio, fotocopias de CV e cartas de apresentacao, etc. Para um desempregado foram rios de dinheiro gastos. Fiquei desapontado pois das dezenas de cartas que enviei, tive como resposta talvez 5% da sua totalidade. Das que enventualmente respoderam e marcaram-me entrevista, 80% diziam-me a famosa frase "Trabalho existe mas dinheiro para pagar o salario nao". A minha segunda depressao. Sentia-me entre a espada e a parede. Ou trabalho em regime de voluntariado ou faco-me a vida numa outra area profissional. Qual nao sabia, pois ciencia e um trajecto altamente especifico. La arranjei num laboratorio uma bolsa (que nao era comparticipada nem pelo MCT mas que tambem nao sabia de onde o $ vinha). Diziam-me que provinha de uma organizacao de caridade (fundos doados pelos doentes e antigos doentes da instituicao onde trabalhava). Recebia um cheque ao final do mes. Nao me pediam recibos verdes, nao pagava impostos (aquilo que me impossibilitado de fazer), etc. Deram-me o $ inicialmente nos primeiros 2-3 meses. Ao final desta altura, disseram-me que nao tinham/havia mais dinheiro MAS que gosatvam muito da qualidade do meu trabalho e desejavam que eu continua-se mas em regime de voluntariado. Olhava para os meus colegas e via la um a trabalhar a 5 anos de graca com a acrescida responsabilidade de um laboratorio sobre os seus ombros. Perguntava-me se este individuo saisse como iria o hospital aguentar o fluxo de analises necessarias?
    Acabei por decidir que se tinha que trabalhar de graca enato iria procurar algo que fosse mais adequado para a area que desejaria especializar-me. Sai deste local e fui para um outro local (ESTATAL) fazer um "so-called" estagio nao renumerado mas profissionalizante(?????). Entao onde estaria a qualificao? Nao existia. Tive dois meses nesse laboratorio. Aprofundei a minha experiencia em cultura celular, algumas tecnicas de serologia viral, e fiz duas vezes um "Nested PCR" onde infelizmente tive contaminacao. Em dois meses perdi mais tempo a ver os outros a trabalhar do que propriamente "sujar as maos a trabalhar". Disseram-me ao final que o relatorio que fiz nao estava adequado e que como tal nao podia continuar o estagio. Foi tambem na altura que pessoalmente percebi que teria que fazer uma equivalencia dos meus titulos academicos ingleses (um BSc e um MSc) para o corrente Portugues. Ao iniciar todo este processo (ir ao Ministerio da Educacao, depois ter que ir as Faculdades, para ter que ir outra vez ao Min. da educacao, etc)digo-vos hoje que inicei o processo da minha terceira depressao. Estava so a 2 anos em Portugal e ja tinha mais problemas que solucoes. Nao desisti. Nesse verao tive a excelente oportunidade de iniciar um novo estagio nao renumerado num laboratorio de referencia nacional em Imunologia. Posso dizer que embora nao recebia um salario, recebi aquilo que muitos estao prontos para receber. Experiencia profissional. Fui a todos os congressos que a minha supervisora era convidada, fui incentivado a assistir a cursos e workshops na area das ciencias medicas e biologicas, etc. No entanto, sabia que tal situacao nao poderia continuar "ad eternum". Nao vivo do ar e precisava de uma fonte de receita mensal de modo a ter a minha propria vida e facilitar a vida de meus Pais. Acabei por candidatar-me a uma outra bolsa. Desta vez o local de trabalho era em Oeiras. Disseram-me na entrevista que era por uma sitaucao de seis meses ao qual aceitei. Ao assinar aquilo a que chamam contrato (pois se um bolseiro nao e considerado trabalhador logo tambem nao posso considerar aquele papel como contrato profissional) vinha explicito que era por um ANO (lei que o MCT obriga(va) os contratos a terem). Durante seis meses fizeram-me a vida negra. aniquilavam-me a experiencias, impediam-me de utilizar as camaras de fluxo nas alturas que mais precisava (outros colegas demoravam-se a disponibiliza-las),acusaram de coisas que nao fiz, etc. Ao final de seis la tive a conversa com o Director do Instituto ao qual pedia-me a minha rescisao. Nao entreguei. Dirigi-me ao MCT e devido a responsavel encontrar-se de ferias fui aconselhado por outros a enviar a Instituicao um atestado medico.
    Durante os dois meses subsequentes, agi em conformidade do que o MCT me dizia. Tive o conhecimento que o proprio MCT nao poderia fazer muito pois o finaciamento do projecto em que estava era Europeu. Descobri tambem, que os bolseiros portugueses nao tem direitos laborais e como tal nao existe legislacao alguma onde estes se podem basear. Por parte destes so ha deveres. E obvio que o final desta novela acabou no dia que interrompi o meu atestado. Recebi a carta de despedimento onde invocavam tamanhas mentiras e acima de tudo o Director demonstrou efectivamente o grau de conhecimento cientifico nulo que tanto usufrui.
    Foi a minha quarta depressao. Fiquei desacrediatdo com todo o sistema. Senti-me usurpuado, usado, enganado, triste, desapontado, desinteressado, sujo , etc. Sentia-me infeliz pois CIENCIA e a minha vida e vivia num PAIS que cada vez que ia a uma entrevista quase que me gozavam por ter titulos academicos Ingleses e viver em Portugal. Como que so por ter decidido voltar significava ser uma grande M****. Decidi ao final de uma ano que a minha vida teria que dar uma volta de 180 graus. Estavamos em 2003. Durante esse ano de 2003, candidatei-me duas vezes apra Inglaterra. Uma foi para o Sanger Instituto em Cambridge (local onde o foi feito grande parte do projecto do genoma Humano) e a outra foi para o Institute of Neurology em Londres. Chamaram-me a entrevista e pagaram-me todas as despesas de custo (incluindo o aviao e acomodacao). Cheguei a conclusao que estava no Pais errado. Durante 5 anos tentei fazer algo de constructivo para o meu Pais. Nao me quiseram, azar o meu!
    Estou em Inglaterra a 4 anos. Nao vou dizer que tudo foi facil porque nao o foi. No entanto, ja estive a trabalhar num laboratorio de genetica humana de referencia nacional (so existem 3 neste pais) e de momento tenho um verdadeiro contrato profissional (tenho ferias pagas,pago impostos, e recebo horas extraordinarias)de 2 anos e meio com o IMPERIAL COLLEGE of LONDON. O meu salario e de 1.400 libras mensais liquidas. O meu salario bruto ao ano e de £22.280 LIBRAS. 1 LIBRA = EUR 1.50

    Portanto Catarina, sim a situacao cientifica Portuguesa e uma verdadeira depressao. Contudo, ha solucoes para tal depressao.

    Cumprimentos,

    PPL


    enviado por Anonymous Anónimo em setembro 07, 2006 1:34 da tarde  


  • Gostei do texto, não porque satisfaça ver mais outro exilado no seu próprio país, mas porque dá voz a um descontentamento peculiar que abrange todos os que usam criativamente a sua inteligência num país que não a reconhece, nem aceita, nem promove e muito menos a sustenta.
    No entanto, acho que a palavra "depressão" é um pouco passé - não há evidências a nível neuronal que a sustentem, nem a nível bioquímico. Porque não usar a velha e útil palavra "tristeza"? talvez um identificador de estados emocionais mais forte, menos freudiano, mas mais profundo, dado que o seu significado inclui um espectro vasto que comporta apatia, descontentamento, perda de ãnimo e de esperança além de mais outras características que todos os anúncios supercontentinhos da televisão evitam.

    Talvez nos aeroportos do nosso país faussement solar devesse estar a divisa dantesca (para aviso à navegação cientista e artística).

    O voi che entrati lasciati ogni speranza

    O actual caminho de adaptai-vos ao mercado ou perecei, parece nefasto - leva ao arquipélago dos Morangos
    com edulcorante


    In sympathy,

    Miguel Drummond de Castro


    enviado por Anonymous Anónimo em setembro 23, 2006 8:03 da tarde  


  • Olá Catarina,

    Partilho da tua perspectiva, a qual achei escrita de um modo muito bonito embora algo triste e pois para as nossas vidas há essencialmente três soluções.
    A vida de investigador não é mesmo boa nem estável. Há três caminhos: ou persistir porque se ama aquilo que faz e continua-se, ou gostamos muito disto e somos aventureiros e emigramos, ou ficámos por cá com os nossos amigos, família e planos de vida e vamos fazer qualquer outra coisa e tentamos a estabilidade.
    Neste momento estou ainda em bolsa mas já optei pela terceira opção. Já emigrei por uns tempos mas dado que tinha namorada não achei ser a melhor opção, também não tenciono ficar ad eternum.
    Irei reinventar o meu curriculum, aprender a fazer outras coisas, aprofundar os laços com as pessoas locais da zona onde no futuro quero viver e vou sobretudo acreditar porque sei que a vida tem sempre uma ponta de magia e bondade. Só a sociedade portuguesa não é inspirada nesta filosofia.

    Ao fim de uns quatro anos em diante de agora, planeio fazer estável a minha auto-suficiência, vou adoptar uma vida simples de baixo custo e dedicar-me á natureza e ao cultivo (afinal adoro a natureza e só ela me explica os mais belos segredos e paz interior)

    As minhas maiores felicidades a todos


    enviado por Anonymous Paulo segurelha@gmail.com em março 01, 2007 3:36 da tarde  


  • Olá meus amigos.
    Compartilho vossa preocupação e posso lhes dizer com segurança(porque fui vítima) que políticos são "homos" não muito "sapiens" e suas promessas são tão vazias como suas caixas cranianas.Alguns até aparentam ser seres humanos,com belos discursos e tudo o mais,mas na verdade são devoradores da esperança e do futuro dos verdadeiros trabalhadores.
    O que posso sugerir é, "uni-vos" num ideal que vos traga prosperidade como a deles e mandem às favas as suas "balelas"


    enviado por Anonymous Anónimo em maio 21, 2007 6:31 da manhã  


  • Eu creio que realmente estamos todos a enlouquecer... Basta observar o número de pessoas a meter baixa médica, actualmente. Eu... trocava esta minha vida pela vossa... mas escolhi a profissão errada, embora continue a sentir a vocação...
    Está tudo trocado... Não há ordem porque não há postos de emprego... não há lugar a exigências porque não há condições. Tudo o que conhecemos agora é uma precariedade que não seria esperada, num mundo que aspira informação.
    Eu faço trabalho indiferenciado, não numa caixa de supermercado mas a diferença não é muita. Tenho uma vida razoavelmente estável no campo afectivo. Neste momento estou com uma depressão. Vivo com a culpa embutida em várias acções passadas, por vezes penso que é birra, outras que me esforcei pouco, outras que não sou competente o suficiente e atribuições por ai além. Mas a verdade é que sofro, pois sonhei com muito mais que isto. Perguntam-me, o que se passa comigo pois tenho tudo... :) Ingenuidade ou não, nunca imaginei ser travada num sonho que pensei que dependeria apenas do meu esforço.
    Escrevo porque, de certa forma, me senti identificada com as vossa preocupações e aproveitei como desabafo. Investigação nas ciências do comportamento? Há quem nem a considere ciência. Mas a investigação existe lá fora. Talvez um dia tenha coragem de abandonar o que já construi para ir em busca desse sonho...


    enviado por Anonymous Anónimo em outubro 06, 2008 8:13 da tarde  



  • enviado por Blogger 日月神教-向左使 em maio 19, 2010 8:26 da tarde  


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