FísicosLX

terça-feira, julho 27, 2004

UniBas

O conselho da Universidade decidiu no início deste ano encerrar em 2008 o Instituto Astronómico fundado em 1874. A razão é simples; a Universidade necessita de poupar nos próximos anos mais de um milhão de euros. Feitas as contas o Instituto Astronómico é a unidade que apresenta maiores gastos relativamente ao número de alunos inscritos no curso de astronomia. Conclusão lógica: encerra-se! Nesta avaliação não se teve em conta a qualidade da produção científica do Instituto, reconhecida internacionalmente, que é feita em grande parte por alunos que transitaram da licenciatura em Física ou de outras instituições e, por conseguinte, nao são contabilizados no rácio despesa/aluno.

Parece agora que existem possibilidades de se 'salvar' o Instituto Astronómico, desde que este reduza a despesa na ordem do tal milhão de euros. Para consegui-lo a primeira medida foi reintegrar o Instituto Astronómico no Departamento de Física e agora discute-se como dividir a conta por todos. As medidas seguintes passam pelo não preenchimento das novas vagas para professores e a não renovação de alguns contratos de pós-doutoramento. Espera-se não haver assim necessidade de despedimentos.

Infelizmente, esta situação tem a familiaridade de uma história portuguesa, mas na realidade passa-se na Universidade de Basileia na Suíça. Com ela aprendemos antes de mais que muitos problemas das Universidades Portuguesas não são um fatalismo nacional, mas afinal comuns a outros países com muito mais tradição e recursos investidos em Ciência.

Também podemos aprender com os erros e com as soluções encontradas. A situação difícil em que se encontra o Instituto Astronómico da Universidade de Basileia resulta em parte de guerras internas pelo poder que levaram à separação do Instituto do Departamento de Física e das respectivas licenciaturas e, consequentemente, à perda de 'massa crítica' de cada uma das partes. Parece-me que em Portugal também se assiste ao mesmo tipo de fenómeno de divisão de centros de investigação e proliferação de licenciaturas (ao invés da flexibilização das já existentes), resultantes muitas das vezes de guerras pessoais e não de critérios científicos ou pedagógicos. Se queremos realmente desenvolver a Ciência em Portugal nao podemos dar-nos ao luxo de gastar energias em lutas políticas que retiram tempo à investigação e qualidade ao ensino e são um exemplo desmotivante para os jovens que querem fazer investigação.

1 :

  • Alvíssaras a quem descubra os orçamentos anuais e os rácios professor/alunos das universidades portuguesas! Esperaria encontrá-los no "site" do Observatório da Ciência e do Ensino Superior, mas não encontrei.


    enviado por Blogger Aristarco em julho 28, 2004 11:16 da tarde  


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