FísicosLX

sexta-feira, setembro 10, 2004

1 nanómetro = 10-9 metros

Nano-flor Nano-whispering gallery

Nano-flor e nano-galeria "acústica" (uma "whispering gallery" óptica, neste caso). Fazem parte de uma colecção em crescimento de miniaturinhas com muito potencial.

Até já há a "Nanopicture of the day"...

12 :

  • nanometro, sem acento algum, por Minerva.
    nanómetro! É boa!

    G, o eng.


    enviado por Anonymous Anónimo em setembro 13, 2004 10:27 da manhã  


  • Sempre ouvi "nanómetro". Suponho que por analogia com os múltiplos e submúltiplos mais comuns do metro, também eles palavras esdrúxulas. Vou procurar saber mais. Agradeço a chamada de atenção.


    enviado por Blogger Aristarco em setembro 13, 2004 11:08 da tarde  


  • Escusa de ir "saber mais", senhor, está a falar com um especialista na matéria. ;-)

    G, o Engenheiro

    Veja aqui uma boa pista:
    http://dre.pt/pdfgratis/2002/11/270A00.PDF#page=11


    enviado por Anonymous Anónimo em setembro 17, 2004 8:35 da tarde  


  • Caro engenheiro (o panfletário?):

    Nos dicionários da Porto Editora (o "Grande" e o "2004") vem registado "nanómetro". No mini-Aurélio (6ª edição), vem "nanômetro". No dicionário da Academia, não vem nenhuma menção. Note que, no decreto-lei, vêm os prefixos não adaptados às palavras a que se vão ligar. Por exemplo, "deci" ligado a "metro" resulta em "decímetro".


    enviado por Blogger Aristarco em setembro 19, 2004 8:27 da tarde  


  • Em tudo na vida há excepções, são elas que fazem a regra, como diria o meu tio Zé:
    Da INMETRO, do Brasil, (mutatis mutandis, serve bem):

    [http://www.inmetro.gov.br/consumidor/unidLegaisMed.asp#n_pronuncia]

    " Unidades Legais de Medida :


    Nome
    pronúncia correta

    O acento tônico recai sobre a unidade e não sobre o prefixo.

    exemplos:
    micrometro, hectolitro, milisegundo, centigrama

    excepções:
    quilómetro, hectómetro, decâmetro, decímetro, centímetro e milímetro
    [mudei o acento - eles usam tónico]"
    ---------
    Posso explicar estas excepções: Clareza e simplicidade são as palavras-chave; nada se ganharia em impôr decimetro...

    Outra excepção exemplar é o quilograma que é uma unidade básica e não um múltiplo do grama...

    Veja o que o seu dicionário diz sobre micro ou mícron ou micrómetro - sem se calhar mencionar o correcto micrometro - e decidirá que este é um assunto impróprio para dicionários.

    (Sobre unidades, cá, nem no IPQ se deve confiar muito - quanto mais em dicionários.)

    É que não é, de facto, fácil encontrar engenheiros com sensibilidade para estas coisas - ainda ontem vi um verdadeiro engenheiro de uma verdadeira empresa a fazer uma verdadeira apresentação, numa verdaeira faculdade e, em letras garrafais e bonitas, Kg em vez do correcto kg.
    E quem se importa, senão eu?

    E o plural de henry? e o plural de pascal?
    Conseguirei eu por ordem nisto?!
    Estou a tentar ganhar adeptos para que, as unidades, sejam consideradas "palavras especiais" - o que permitirá, por exemplo escrever e dizer pascals - olhe, o Aurélio, concorda! - porque cá, e pela regra, é pascais... Lembra a Páscoa! E bares lembra copos.

    Faça-me um favor, diga e escreva nanometro [nano métro]e não pense mais sobre o assunto. Se alguém estranhar - o que é natural - diga-lhes que fui eu que disse!

    Uma hectare de cumprimentos (hectoare... excepção)
    G, o Cruzado


    enviado por Blogger O Panfletário em setembro 23, 2004 8:30 da tarde  


  • "Faça-me um favor, diga e escreva nanometro [nano métro]e não pense mais sobre o assunto. Se alguém estranhar - o que é natural - diga-lhes que fui eu que disse!
    "

    Ah! Ah! Ah! Argumentos de autoridade?! "Foi 'o G' que me disse"...

    Quanto aos plurais, percebo-o, mas mesmo assim... Já há os "quilogramas"... (E "grama" foi estrela no sistema "cgs", lembra-se?)


    enviado por Blogger Aristarco em setembro 24, 2004 10:21 da manhã  


  • Para sua ilusória satisfação e justificando a minha escolha do 'cognome' Cruzado, a premiada Marta Fajardo diz, mal, nanómetro. Como vê, e eu avisei, quanto mais perguntar pior pois é assunto 'cigano'...
    O jornal escreve também "femtossegundo", com a psicótica cautela de evitar que alguém diga "femtozegundo", supunho. Discordo plenamente. As unidades são palavras especiais, técnicas, para técnicos e têm de ser, antes de tudo, claras. femtosegundo é, sem dúvida, melhor reconhecível como sendo a junção das palavras femto e segundo e ninguém dirá femtozegundo. Ao contrário, todos estranham femtossegundo...
    De qualquer modo, em Portugal, é fento, e não femto, porque assim o diz o Dec. Lei 254/2002.
    Pessoalmente, se calhar, nem esta 'adaptação' teria feito e deixaria femto. São palavras especiais... Mas esta, aceita-se bem, porque femto, fere. (cacafonia propositada)


    Os brasileiros, americanos que são, fazem kelvinos para o plural de kelvin, a unidade de temperatura termodinâmica cujo símbolo é K. Que mal terá kelvins?
    Será medo de perder património linguístico?!
    Femto, por outro lado, agrada-lhes e utilizam-no desavergonhadamente. (Escrevi femto com maiúscula inicial por ser início de frase, claro).

    Deixe-me falar ainda do que se ouve diariamente na TV: asneiras. O "quilómetro hora" para dizer "quilómetro por hora" é universal...
    E as traduções? Já vi converter graus Fahrenheit em graus Celsius [ºC] 'directamente'...
    Todos estão a ganhar dinheiro com as suas profissões. Todos são autoridades. A todos falta vergonha na cara.
    Mark Twain já o dizia: "Tudo o que é preciso na vida é ignorância e confiança; depois, o sucesso está garantido."

    G, o Chato


    enviado por Anonymous Anónimo em setembro 24, 2004 5:33 da tarde  


  • Caro G (não é nada chato),

    Por que é que a Marta Fajardo diz mal, se diz como está nos dicionários e como muitos outros professores universitários (pelo menos de Física, pelo menos todos os que conheço) dizem?

    O livro "Física" (Vol. 1) de Resnick, Halliday & Krane(4ª edição, LTC-Livros Técnicos e Científicos Editora, Rio de Janeiro, 1996) - um dos cursos universitários de física mais respeitáveis e dos mais usados em Portugal - tem uma nota de rodapé na tabela de prefixos SI (página 2) que diz: "Em todos os casos, acentua-se a segunda sílaba, como em na-nô-me-tro." Penso que concordará que a primeira parte da frase não está correcta, mas o exemplo dado é significativo. Curiosamente, o tradutor optou por manter a grafia "femto" e "atto". É explicado no texto: "Prefixos de origem grega são usados para factores maiores que a unidade e de origem latina para fatores menores que a unidade (excepto 'femto' e 'atto' que são de origem
    dinamarquesa)".

    Descobri também um jornalista da Lusa que diz "nanómetro" e não terá inventado a palavra: http://www.telemoveis.com/news/item.asp?id=1945

    Já reparou que esta tendência para que os múltiplos e submúltiplos fiquem palavras esdrúxulas só acontece com o metro? (Sim, também digo picómetro, fentómetro e, eventualmente, atómetro, e ainda mícron ou micrómetro.) Não haverá uma razão linguística para isto? Deixei uma pergunta sobre este assunto no Ciberdúvidas; esperemos a resposta a partir de Outubro.

    Concordo com o que diz sobre a comunicação social e as traduções.

    Cumprimentos.


    enviado por Blogger Aristarco em setembro 26, 2004 10:15 da manhã  


  • Pensando bem é do meu interesse que continuem a laborar em erros. ;-)
    Retiro-me respeitosamente deste diálogo e vou mas é ver se arranjo uma bolsa para escrever um livro...

    G, o Mártir

    PS: o mícron, morreu em 1968.
    1968.
    Já era tempo de o deixarem o coitado descansar em paz.
    :-)


    enviado por Anonymous Anónimo em outubro 08, 2004 6:17 da tarde  


  • Caro Panfletário, Engenheiro, Cruzado, [não] Chato, [pseudo-]Mártir,

    Lamento que saia assim. É que, deste lado, está quem quer combater a ignorância, a começar pela própria. Só que quer ser convencida com argumentos lógicos, e não de autoridade, e nisso não transige.

    Posso dizer-lhe que sou bastante picuínhas no que toca à defesa da nossa língua, mas não deixo de ter em mente que não existe nenhuma língua perfeita e que, no nosso país, a língua (em sentido lato) não se tem fixado por decreto. Por isso, uma discussão sobre a grafia de unidades de comprimento vale o que vale.

    Volte sempre ao FísicosLX. E conte-nos quando sair esse livro.

    Entretanto, aguardam-se mais brilhantes panfletos.

    Cumprimentos!
    Aristarco

    P.S.: Quanto ao mícron, foi-me apresentado por professoras de Biologia da escola secundária, na década de 80, e continua vivo e de boa saúde nos dicionários portugueses, tendo até dado origem ao "micro" e à "micra"... Está tudo contra si, já se vê, caro Mártir. :) Mas nem sequer quer explicar que 1968 é esse que tirou da manga...


    enviado por Blogger Aristarco em outubro 08, 2004 7:37 da tarde  


  • Claro que quero! - sempre fui sensível à categoria e é com prazer que o informo:

    O "1968" foi tirado desta manga: http://www.bipm.fr/en/si/si_brochure/

    Leia na página 32, nota j:

    "(j) Le micron et son symbole, qui furent adoptés par le Comité international en 1879 (PV, 1879, 41)
    et repris dans la Résolution 7 de la 9e CGPM (1948 ; CR,70), ont été supprimés par la
    13e CGPM (1967-1968,Résolution 7 ; CR,105 et Metrologia, 1968, 4, 44)."

    [CR = Comptes Rendus
    CGPM = conferência geral de pesos e medidas
    BIPM = Bureau International des Poids et Mesures]

    Note as datas...
    RIP!


    Cumprimentos

    G, o Coveiro

    PS: O SI é uma coisa simples, práctica, bela. Contudo, porque faz com que as pessoas se entendam melhor, tem 'inimizades' por todo o lado. O mistério da natureza humana.
    (É como um carro novo mas todo, todo riscado: apesar de os riscos não afetarem nada de vital, perde a graça.)


    enviado por Anonymous Anónimo em outubro 11, 2004 6:55 da tarde  


  • Obrigada!


    enviado por Blogger Aristarco em outubro 16, 2004 11:02 da tarde  


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