FísicosLX

quarta-feira, janeiro 18, 2006

No interior do SuperKamiokande



O SuperKamiokande é um gigantesco detector de neutrinos construído no Japão. Nas imagens de cima, pode ser visto meio cheio, com os seus milhares de tubos fotomultiplicadores. Os fotomultiplicadores iniciais sofreram um acidente que os inutilizou, tendo sido necessário substituí-los.

3 :

  • Para que servem mesmo os neutrinos? Não será gasta massa a mais numa coisa tão insignificante?


    enviado por Anonymous Anónimo em janeiro 18, 2006 6:00 da tarde  


  • A existência dos neutrinos é uma evidência experimental: eles são vistos nalguns decaímentos radioactivos, por exemplo. As suas características conhecidas mostram que são partículas elementares, tão elementares como os electrões ou os quarks. Por isso, porque são constituintes básicos do nosso Universo, estudá-los ensina-nos acerca das leis fundamentais do Universo.

    A descoberta (no Super-Kamiokande, precisamente) de que os neutrinos têm massa, embora muito pequena, tem implicações importantes na Física: faz deles um dos candidatos seguros à matéria escura do Universo; torna possível o mecanismo de oscilação entre neutrinos de diferentes sabores (eles existem em 3 "versões"...), que permite explicar o défice medido de neutrinos solares; e foi mesmo apontada como uma das explicações possíveis para as flutuações de densidade no Universo primordial que deram origem às galáxias (i.e. a estrutura).

    Mesmo se os neutrinos interagem pouquíssimo, tornando difícil a sua detecção, as respostas que podemos obter ao estudá-los valem bem o esforço!


    enviado por Blogger catarina em janeiro 19, 2006 11:26 da manhã  


  • Os benefícios vão para além do simples acréscimo de conhecimento científico. Estes instrumentos complexos exigem inovações que levam a novas técnicas industriais, as quais podem depois ser aplicadas fora do contexto da investigação científica.

    Alguns exemplos:

    - CCDs. Foram concebidos no âmbito da astronomia, com o intuito de medir e registar a luz de fontes ténues (espaço profundo). Actualmente são utilizadas pelas Forças Armadas (e.g. infravermelhos) bem como nas comuns câmaras de filmar...

    - Internet. Desenvolvida pelos militares (ARPANET) nas décadas de 1960-1970 com o objectivo de manter uma rede de comunicações descentralizada: em caso de ataque, outros nodos continuariam a funcionar.

    - Browser de Internet. Criado no CERN como um meio de visualização de informação à distância.

    - Relatividade restrita. Até à década de 1970-1980 não passou de interesse académico. Hoje em dia, a possibilidade de usar GPS (ou, de futuro, o sistema GALILEO) com precisões da ordem de centímetros, em vez de algumas centenas de metros, é devida a correcções relativísticas.

    - Microscópio. Ao início era apenas uma curiosidade para divertir as pessoas...

    - Electricidade. No século XIX, o sr. Faraday recebeu, no seu laboratório, uma visita de um alto dignatário do governo Britânico. O objectivo era avaliar o trabalho lá realizado com o intuito de conceder financiamento governamental. Acerca da electricidade, uma novidade na altura, o enviado governamental perguntou "para que servia isso", ao que Faraday respondeu: Sir, one day you may tax it.

    Com estes exemplos (e há mais!...) quero ilustrar o seguinte: não conseguimos prever a utilização que uma ferramenta terá no futuro. Os neutrinos podem nem vir a ter utilidade senão daqui por uns 300 ou 500 anos, mas a tecnologia que é desenvolvida para estudos associados aos neutrinos traz benefícios hoje.


    enviado por Anonymous Anónimo em janeiro 31, 2006 8:31 da manhã  


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