FísicosLX

quarta-feira, junho 16, 2004

O silvo da criação

(http://www.newscientist.com/news/news.jsp?id=ns99995092)

Afinal, o universo não começou com um "bang", mas sim... com um silvo!... E pode ouvir-se uma réplica na página indicada em cima. Quem diria!

sexta-feira, junho 11, 2004

Hubble Ultra Deep Field (HUDF)

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O Telescópio Espacial Hubble terminou há pouco tempo uma fotografia das galáxias mais antigas do Universo, ainda com mais pormenor do que o original "Hubble Deep Field". Esta imagem é o resultado de três meses de observação! Mais informações
aqui.

A propósito desta imagem... Estive há não muito tempo no Museu de Ciência e no Pavilhão do Conhecimento, e notei uma confrangedora falta de "posters" com interesse simultaneamente científico e estético, nas respectivas lojas... No Museu de Ciência, havia uns pobres "posters" sobre o sistema solar, sem nenhuma informação que os enriquecesse - adequados, talvez, para escolas do primeiro ciclo... No Pavilhão do Conhecimento, nem um único "poster"... E é pena, porque há "posters" sobre astronomia que são delícias para os olhos e para o espírito...

quarta-feira, junho 09, 2004

As fases de Vénus


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Considero esta imagem fascinante. Apesar de ser uma montagem de várias fotografias de Vénus, numa escala diferente da do fundo, permite ver muito claramente as fases de Vénus e as alterações de tamanho relativo do planeta. Se víssemos uma tal coisa, com a primeira luneta da humanidade, como aconteceu com Galileu, e tivéssemos à disposição um modelo heliocêntrico com simples elipses em vez de outro geocêntrico com epiciclos e deferentes, como não preferir o primeiro?

terça-feira, junho 08, 2004

Um livro curioso

Christopher é um miúdo de 15 anos extremamente tímido. Christopher gosta de cães, da cor vermelha e de livros policiais, em particular, dos mistérios do Sherlock Holmes. Frequenta uma escola especial para miúdos com graves problemas de socialização. Alguns desses problemas enunciados pelo próprio Christopher em "The curious incident of the dog in the night-time", resultam dos factos seguintes: "não falar com pessoas durante longos períodos" (o máximo foram cinco semanas); "não gostar de ser tocado"; "não suportar coisas castanhas e amarelas"; "não conseguir comer quando tipos diferentes de comida se tocam no prato"; "ficar confuso e violento quando alguém muda a mobília da sala"; e outros. No entanto, Christopher é brilhante na resolução de problemas matemáticos, adora física, quer ser astronauta e conhece todos os números primos até 7057.

Incentivado pela sua professora, Christopher decide escrever a sua própria história policial, em torno do assassínio do cão da sua vizinha, Wellington, e das suas investigações subsequentes para encontar o culpado. Sendo incapaz de mentir e, consequentemente, de ficcionar ou até de construir metáforas, que para ele são equivalentes a mentiras, Christopher vê-se condicionado a escrever a história sobre factos reais.

O que torna este livro de Mark Haddon fascinante é o contraste entre o racionalismo implacável do protagonista e as situações pessoalmente dramáticas com que se confronta à medida que prossegue as investigações. E, no entanto, o leitor deixa-se envolver por este miúdo quase desprovido de emoções, que transporta no bolso diagramas de caras com diferentes expressões, a que recorre quando tem de avaliar o estado emocional das pessoas com que convive. Aliás o livro está cheio de diagramas feitos pelo protagonista, bem como enunciados de problemas matemáticos famosos, algumas demonstrações e conceitos físicos. Vou no capítulo 149, notando que estes estão ordenados na sequência de números primos!

'The curious incident of the dog in the night-time' é editado pela Vintage Contemporaries, 2003.

segunda-feira, junho 07, 2004

Estamos todos a enlouquecer?

Uma situação delicada passada recentemente com um colega, fez-me pensar na necessidade de um estudo sobre a saúde mental dos bolseiros, ex-bolseiros e candidatos a bolseiros de investigação portugueses. Somos de certeza uma classe não-representativa da população, mas ainda assim com significado estatístico (7 mil bolseiros de investigação, li num jornal). A um questionário onde se perguntasse se estivemos nos últimos anos deprimidos ao ponto de procurarmos ajuda médica, mais de metade de nós responderiam que sim. Se o detalhe fosse mais longe e, dentre os outros, se inquirisse quantos acham que deveriam ter procurado ajuda ou que precisam de ser ajudados a superar uma depressão, estou convencida que os restantes diriam também que sim.

Estimando por alto, só para ter uma ordem de grandeza do problema, eu diria que 100% dos bolseiros de investigação passam por fases graves de depressão. Se juntarmos a esse número 3% de incerteza, o palpite passa a quase-verdade.

Somos uns privilegiados, fazemos na vida aquilo que escolhemos, ganhamos bem (atendendo aos padrões portugueses), não trabalhamos demais (outra vez os padrões portugueses), viajamos muito. À primeira vista, nada parece justificar o desânimo generalizado. E no entanto...

O colóquio recente sobre o futuro científico em Portugal trouxe o assunto para os jornais. Ministros cantam-nos loas, fazem promessas de milhões de euros, promessas de milhares de novas bolsas, promessas de empregos que hão-de vir. Pintam um futuro radioso para a Ciência portuguesa - mas nós, que futuro é o nosso? Porque, ao mesmo tempo que no-lo dizem, vão juntando que "as bolsas são e têm de ser de carácter temporário"... Eu, como alguns de vocês, faço investigação há quase 10 anos (sim,o tempo passa tão depressa...), graças às sucessivas bolsas da FCT e do instituto onde estou. Esperam que ao fim de todo este tempo e esforço, passado já o limiar dos 30 há anos, eu vá à procura de emprego onde? Que contributo posso eu dar para a rudimentar indústria portuguesa - eu, vinda da física fundamental, e todos aqueles que vêm de áreas teóricas e/ou não-aplicadas? Que empregador vai querer pagar-nos uma sobre-qualificação de que não precisa?

Talvez o "carácter temporário" que querem dar às bolsas portuguesas signifique que esperam que procuremos financiamento fora do país. Como muitos de nós, de resto, temos feito. E propoem que regressemos já perto da reforma (que, a propósito, dificilmente nos quererão pagar, visto que nunca teremos sido "contribuintes"), depois dos famosos 100 artigos em revistas científicas e 10 orientandos de doutoramento. A dificuldade está no entre-tempo...

Os efeitos colaterais disto tudo são evidentes. Mesmo assim, alguns de nós escolhemos continuar. Procurar novo financiamento todos os 2 ou 3 anos. Mudar de país,de casa e de amigos com a mesma periodicidade. Estar longe da família. E adiar a "vida normal" (casar, ter filhos, ter férias no Verão, pertencer a um local,...) por tempo indeterminado.

Num país onde a taxa de analfabetismo é ainda de 8%, e onde a taxa de analfabetismo funcional ultrapassa de certeza os 50%, somos uma elite perdida num mar de contradições. Entre aqueles que nos tecem louvores e os outros que nos consideram um inútil sumidouro de dinheiro (às vezes os mesmos...), perguntamo-nos se vale mesmo a pena (pessoal e socialmente falando). Deslumbrados por termos chegado tão longe, deprimidos por não nos vermos chegar a lado nenhum. Acreditámos que podíamos ter tudo. Mas o sonho é como um castelo de cartas numa corrente-de-ar.

sexta-feira, junho 04, 2004

Criptografia à prova de escuta

Foi lançada a primeira rede de Criptografia Quântica do mundo:
"People think of quantum cryptography as a distant possibility," said Chip Elliott, a Principal Scientist at BBN and leader of its quantum engineering team, "but the DARPA Quantum Network is up and running today underneath Cambridge. BBN has built a set of high-speed, full-featured quantum cryptography systems and has woven them together into an extremely secure network."

A informação mais importante é a de que esta rede opera de forma contínua, e não simplesmente como um "proof of concept". A Wikipedia oferece uma explicação sucinta do que é a Criptografia Quântica.

[via Slashdot]

quinta-feira, junho 03, 2004

Portanto...

fez-se luz! :)

Big Bang!

Acabou de nascer o FísicosLX!

(to be continued...)


 

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