FísicosLX

sábado, julho 31, 2004

Lua azul (em 31 de Julho de 2004)

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Os anglo-saxónicos chamam "blue moon" à segunda lua cheia de um mês, como a de hoje. É um fenómeno relativamente raro: o último ocorreu em Novembro de 2001. A raridade deve-se ao facto de os 29,531 dias do mês lunar (sinódico) serem pouco menos do que a duração dos meses do calendário.

Na imagem vê-se a lua, não como lua cheia, mas durante a fase crescente, num amanhecer, acompanhada de Júpiter e de quatro das suas luas.

De acordo com o almanaque do OAL, hoje a lua tem o seu nascimento e o seu ocaso em Lisboa, respectivamente, às 20h12 e às 4h47 (tempo universal), ou seja, às 21h12 e às 5h47 (hora legal).

sexta-feira, julho 30, 2004

Beleza simétrica e auto-replicativa

padrão de difracção de fibras de DNA tipo B


Este é o padrão de difracção de raios X [1, 2, 3] por fibras de ADN tipo B obtido por Rosalind Franklin, em que Watson e Crick se apoiaram para propor o modelo helicoidal para o ADN.

A cristalografia de raios X permitiu conhecer a estrutura de muitas outras moléculas orgânicas, como a hemoglobina, por exemplo. Baseia-se na natureza ondulatória da luz, neste caso dos raios X, e mais especificamente na capacidade de as ondas sofrerem difracção, o fenómeno que ocorre quando as ondas se dispersam, ao encontrarem um obstáculo. É ainda importante o facto de a radiação X ter um comprimento de onda da ordem de grandeza das distâncias intermoleculares numa rede cristalina, pois só nestas condições ocorre a difracção.

quinta-feira, julho 29, 2004

Francis Crick (1916-2004)

Francis Crick


Morreu hoje Francis Crick. Físico de formação, descobriu, em parceria com James Watson, a estrutura em dupla hélice da molécula do ADN, o ácido desoxirribonucleico, e em consequência o mecanismo da hereditariedade. Ambos repartiram com Maurice Wilkins o Nobel da Medicina de 1962 pelo extraordinário feito. No livro "A Dupla Hélice", que conta a história da descoberta, Watson descreve-o como um investigador muitíssimo inteligente de gargalhadas sonoras. No seu livro "Vida", Crick propôs a panspermia - a vida na Terra provir do espaço - como hipótese para resolver o enigma que ainda é o aparecimento do ADN na Terra. (Esta hipótese está actualmente bastante desacreditada, diz-me uma bióloga.)

Para lá da superfície

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Esta é a imagem mais nítida que temos da superfície do Sol. Apetece ficar só a olhar... E é observando de forma contínua, durante um longo período de tempo, que, da mesma forma que conhecemos o interior da Terra através do estudo dos terramotos, conhecemos o interior do Sol, através da heliossismologia. Porque, para lá da superfície, o Sol pulsa... (É impulsionado pelos movimentos convectivos do plasma, semelhantes aos da água quando ferve.) Por exemplo, no gráfico seguinte, resultado dessas observações e dos cálculos subsequentes, pode distinguir-se o limite inferior da camada convectiva, a pouco mais de 70% do raio do Sol, medindo a partir do centro.


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quarta-feira, julho 28, 2004

Impotência

Assisto, estarrecida, à queima do meu país. O meu país sentimental mas físico, aos pinhais que o meu avô plantou quando veio da Grande Guerra... Sei também que é um golpe na magra carteira de muitos agricultores de subsistência, a quem o pinhal dava, de longe a longe, umas poucas dezenas ou centenas de contos, em tempos de maior necessidade. Era um património certo, sempre a renover-se; agora têm que esperar uma década ou duas, sem nada. Viajo demoradamente pelo meio de montes queimados e pergunto-me se é esta a nossa paisagem...

Casas destruídas, vidas destruídas...

O que podemos todos fazer? Fazer, e não dizer! Se a floresta habitada que foi Portugal durante séculos vai dar lugar a uma floresta selvagem, onde não há quem roce o mato, que seja uma mudança assumida. Sabemos todos que isto tudo começou com a desertificação do interior, e essa é o resultado de um fraco ou inexistente planeamento do território, é a responsabilidade de todos os governos do país desde há cinquenta anos, pelo menos.

As casas não podem estar no meio da floresta. Os limites de distância entre casas e floresta têm que ser impostos com mais vigor. Os caminhos na floresta têm que ser muito mais, e mais largos. Os guardas florestais têm que ser mais, e não menos. As televisões deveriam ser proibidas de mostrar fotogénicas labaredas, que encorajam pirómanos, e mostrar só o negro do dia seguinte, do mês seguinte, do ano seguinte. Mais meios aéreos? Sim, se não forem de quem tenha lucro com eles. Controle-se também os negócios imobiliários e dos madeireiros nas áreas ardidas mais eficazmente.

Li algures que, nestes dias, no Rio de Janeiro, está um frio de rachar, anormal. Estes extremos climáticos hão-de ter alguma correlação com as mudanças climáticas de larga escala e há cada vez mais evidências de que estas estão a ser aceleradas pela mão humana. Exerçamos a cidadania de forma mais consciente do ponto de vista da protecção do meio ambiente, quer nos nossos gestos do dia-a-dia, quer exigindo atitudes responsáveis e eficazes aos governos!

(O desenrolar sinistro dos incêndios pode ser visto através das fotografias dos satélites do MODIS Rapid Response Project - NASA/GSFC.)

A responsabilidade dos cientistas


J. Robert Oppenheimer

Mordechai Vanunu


Nos últimos tempos, quando se fala na responsabilidade dos cientistas na sociedade em que se inserem, fala-se especialmente de biologia ou de medicina. Lemos notícias preocupantes sobre a manipulação genética na agricultura e em animais (os fins comerciais justificam que se ponha em risco a variedade genética? o conhecimento do património genético da natureza pode ser comercializado? a introdução de espécies manipuladas na natureza pode ser feita sem que entidades reguladoras avaliem os seus efeitos nos vários ecossistemas em que serão introduzidas?); notícias sobre a clonagem de cada vez mais espécies, incluindo - cúmulo da irresponsabilidade, no estado actual do conhecimento, - tentativas de clonagem de seres humanos...

Mas desde a descoberta da energia nuclear, nos anos 30 do século XX até a actualidade, foram especialmente os físicos - alguns físicos - que tiveram que tomar decisões difíceis sobre a utilização dos seus conhecimentos.

Quando penso em símbolos dessa responsabilidade dos cientistas, lembro-me especialmente de dois homens: J. Robert Oppenheimer (1904 - 1967) e Mordechai Vanunu (1954).

O primeiro foi o responsável científico do Projecto Manhattan, que desenvolveu as primeiras bombas nucleares. A primeira bomba experimental, conhecida como "Gadget", explodiu, em 16 de Julho de 1945, às 05:29:45. Nessa altura, Oppenheimer citou um trecho do Bhagavad-Gita, quando Vishnu tenta convencer o príncipe a cumprir seu dever e para isto toma a sua forma de muitos braços: "Agora, tornei-me a morte, o destruidor dos mundos." Tornou-se depois um defensor do controlo internacional da energia nuclear.

O segundo é um técnico nuclear israelita que revelou pela primeira vez ao mundo o programa nuclear de Israel. Por ter feito isso, foi raptado pelos serviços secretos israelistas em Roma, julgado secretamente, e esteve preso durante quase 18 anos, dos quais 11 em regime de solitária. Depois de muitas pressões internacionais (1, 2, 3), incluindo as da Amnistia Internacional, que considerou o seu castigo como cruel, desumano e degradante, foi libertado, mas tem ainda bastantes restrições à sua liberdade.

Para ambos, a minha admiração.

terça-feira, julho 27, 2004

UniBas

O conselho da Universidade decidiu no início deste ano encerrar em 2008 o Instituto Astronómico fundado em 1874. A razão é simples; a Universidade necessita de poupar nos próximos anos mais de um milhão de euros. Feitas as contas o Instituto Astronómico é a unidade que apresenta maiores gastos relativamente ao número de alunos inscritos no curso de astronomia. Conclusão lógica: encerra-se! Nesta avaliação não se teve em conta a qualidade da produção científica do Instituto, reconhecida internacionalmente, que é feita em grande parte por alunos que transitaram da licenciatura em Física ou de outras instituições e, por conseguinte, nao são contabilizados no rácio despesa/aluno.

Parece agora que existem possibilidades de se 'salvar' o Instituto Astronómico, desde que este reduza a despesa na ordem do tal milhão de euros. Para consegui-lo a primeira medida foi reintegrar o Instituto Astronómico no Departamento de Física e agora discute-se como dividir a conta por todos. As medidas seguintes passam pelo não preenchimento das novas vagas para professores e a não renovação de alguns contratos de pós-doutoramento. Espera-se não haver assim necessidade de despedimentos.

Infelizmente, esta situação tem a familiaridade de uma história portuguesa, mas na realidade passa-se na Universidade de Basileia na Suíça. Com ela aprendemos antes de mais que muitos problemas das Universidades Portuguesas não são um fatalismo nacional, mas afinal comuns a outros países com muito mais tradição e recursos investidos em Ciência.

Também podemos aprender com os erros e com as soluções encontradas. A situação difícil em que se encontra o Instituto Astronómico da Universidade de Basileia resulta em parte de guerras internas pelo poder que levaram à separação do Instituto do Departamento de Física e das respectivas licenciaturas e, consequentemente, à perda de 'massa crítica' de cada uma das partes. Parece-me que em Portugal também se assiste ao mesmo tipo de fenómeno de divisão de centros de investigação e proliferação de licenciaturas (ao invés da flexibilização das já existentes), resultantes muitas das vezes de guerras pessoais e não de critérios científicos ou pedagógicos. Se queremos realmente desenvolver a Ciência em Portugal nao podemos dar-nos ao luxo de gastar energias em lutas políticas que retiram tempo à investigação e qualidade ao ensino e são um exemplo desmotivante para os jovens que querem fazer investigação.

segunda-feira, julho 26, 2004

Notícia curiosa

Washington, 26 Jul (Lusa) - A maioria dos laboratórios de investigação sobre armamento nuclear dos EUA suspende hoje toda a actividade devido a uma série de falhas nos procedimentos de segurança registadas no laboratório nacional de Los Alamos.

A suspensão, ordenada na sexta-feira passada pelo secretário da Energia, Spencer Abraham, ocorre na sequência do desaparecimento de dois discos com informação a 07 de Julho em Los Álamos (Novo México), o laboratório onde foi produzida a primeira bomba atómica.



[Notícia completa]

domingo, julho 25, 2004

A pedra filosofal


Ernest Rutherford
Ernest Rutherford

Foi este físico quem descobriu a pedra filosofal: o segredo da transmutação dos elementos.

Na realidade, para produzir ouro - ou outro elemento qualquer - a partir de outra substância, não é preciso um material especial. Basta fazer chocar núcleos atómicos uns contra os outros a grandes velocidades. Os núcleos dos átomos de hidrogénio (protões) e os núcleos dos átomos de hélio (partículas alfa) são os projécteis mais utilizados, mas podem ser outros. E, se forem radioactivos, os núcleos transformam-se espontaneamente em núcleos doutros elementos. Já durante a vida das estrelas ou nas suas mortes explosivas, as supernovas, os átomos vão-se fundindo, para criar outros maiores, desde o hélio até ao ferro e ao ouro, passando por todos os outros de massa intermédia que encontramos na Terra.

Claro que este segredo - de que bem "no fundo" da matéria há átomos e, dentro destes, núcleos atómicos - os alquimistas nunca souberam...

sexta-feira, julho 23, 2004

Os caminhos da ciência

Os buracos negros sempre fascinaram o público em geral, e sempre foram um "puzzle" para os físicos. Stephen Hawking propõe agora um novo modelo para os buracos negros, em que a informação "sugada" por eles pode ser recuperada, o que antes acreditava não ser possível. Curiosamente, há trinta anos este assunto foi motivo para uma aposta que fez com o físico John Preskill, a quem agora terá que pagar uma enciclopédia... E assim a ciência avança.

As cores do mundo


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A missão Cassini-Huygens está a estudar Saturno e os seus anéis e, em 2005, dirige-se para Titã, uma lua de Saturno e uma das duas únicas luas com atmosfera do Sistema Solar (a outra é Tritão, uma lua de Neptuno). A atmosfera de Titã é opaca e a sonda vai permitir estudá-la e cartografar a superfície da lua. Quanto aos anéis de Saturno, o seu conhecimento mais detalhado pode ser importante para perceber como se formou o Sistema Solar. Há, por exemplo, um anel que ciclicamente agrega o seu material para formar um pequenino satélite, que depois se volta a desagregar.

Toda esta informação é interessante, mas o que mais me tem chamado a atenção, nestes últimos dias, primeiro em Saturno e agora também nos seus anéis, são as cores. São suaves tons pastel, bege e cor-de-rosa, que não apareciam nas fotografias anteriores a esta missão, e que são pouco comuns, senão mesmo inexistentes, em outras fotografias astronómicas.

Sinto agora o mesmo deslumbramento que tive ao ver as cores fabulosas dos objectos astronómicos - especialmente nebulosas - da série "Cosmos", de Carl Sagan. Mais tarde, percebi que algumas dessas representações poderiam ser "imagens de artista". Ainda mais tarde aprendi que algumas dessas imagens são, de facto, o resultado de fotografias, mas que estas são feitas com filtros, pelo que as cores não são necessariamente as que veríamos com os nossos olhos, se estivéssemos mais perto... Desde então, ao ver uma dessas imagens coloridas, tento sempre perceber que cores são as que nos apresentam... Neste caso, os comunicados de imprensa indicam que se trata de "cores naturais", pelo que devem ser as que veríamos também. Resta, então, o deleite...

Carlos Paredes (1925-2004)

Filigrana portuguesa. Fonte: http://www.terravista.pt/portosanto/5444/Coracao_de_viana.gif

terça-feira, julho 20, 2004

Mensagem de paz


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Em 20 de Julho de 1969, Neil Armstrong e Edwin Aldrin transportaram uma placa até à superfície lunar, onde estava escrito:

HERE MEN FROM THE PLANET EARTH FIRST SET FOOT UPON THE MOON JULY 1969 A.D. WE CAME IN PEACE FOR ALL MANKIND.

domingo, julho 18, 2004

Topologia

labirinto circular

Subindo colinas arenosas, haviam chegado ao labirinto. Este, de perto, pareceu-lhes uma direita e quase interminável parede, de tijolos sem reboco, pouco mais alta que um homem. Dunraven disse que tinha a forma de um círculo, mas tão extensa era a sua área que não se percebia a curvatura. Unwin lembrou-se de Nicolau de Cusa, para quem toda a linha recta é o arco de um círculo infinito… Por volta da meia-noite, descobriram uma porta arruinada, que dava para um cego e arriscado saguão. Dunraven disse que no interior da casa havia muitas encruzilhadas, mas que, virando sempre à esquerda, chegariam em pouco mais de uma hora ao centro da rede.

(in “Abenjacan, o bokari morto no seu labirinto”, do livro “O Aleph”, de Jorge Luis Borges, Editorial Estampa, 1988)

Ciência e religião


Darwin

Deus. (fonte: http://arthistory.westvalley.edu/images/M/MICHELANGELO/GOD.JPG)


O Público de hoje traz uma entrevista ao filósofo Daniel Dennet, que pretende reflectir sobre as religiões à luz da teoria da selecção natural. Fala também de uns Estados Unidos profundos, menos conhecidos.

sexta-feira, julho 16, 2004

Lançamento da Apolo 11: foi há 35 anos

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Parabéns a quem está de parabéns! :-)

quinta-feira, julho 15, 2004

A diáspora dos cientistas portugueses

O jornal Público de hoje, 15 de Julho, publica, na sequência do IV Fórum Internacional de Investigadores Portugueses, os exemplos de um físico e de uma geofísica portugueses que estudaram no estrangeiro e desesperaram com a falta de oportunidades de investigação no nosso país.

Uma das conclusões do encontro foi a necessidade de um recenseamento dos investigadores portugueses que estão no estrangeiro... (A quem interessar...) Talvez para "abrir perspectivas quanto ao recrutamento"...

No final, são apresentados alguns dados estatísticos elucidativos:
actualmente, em Portugal, o número de investigadores por cada 1000 habitantes não vai além dos 2,2, enquanto nos EUA a percentagem é de 8 por 1000 e no Japão de 9 por cada 1000 habitantes.

quarta-feira, julho 14, 2004

"Be less curious about people and more curious about ideas."

Marie Curie. (fonte: http://hum.amu.edu.pl/~zbzw/ph/sci/mariasc.jpg)

Marie Curie

sexta-feira, julho 02, 2004

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)

Musa


Musa ensina-me o canto
Venerável e antigo
O canto para todos
Por todos entendido

Musa ensina-me o canto
O justo irmão das coisas
Incendiador da noite
E na tarde secreto

Musa ensina-me o canto
Em que eu mesma regresso
Sem demora e sem pressa
Tornada planta ou pedra

Ou tornada parede
Da casa primitiva
Ou tornada o murmúrio
Do mar que a cercava

(Eu me lembro do chão
De madeira lavada
E do seu perfume
Que atravessava)

Musa ensina-me o canto
Onde o mar respira
Coberto de brilhos
Musa ensina-me o canto
Da janela quadrada
E do quarto branco

Que eu possa dizer como
A tarde ali tocava
Na mesa e na porta
No espelho e no corpo
E como os rodeava

Pois o tempo me corta
O tempo me divide
O tempo me atravessa
E me separa viva
Do chão e da parede
Da casa primitiva

Musa ensina-me o canto
Venerável e antigo
para prender o brilho
Dessa manhã polida
Que poisava na duna
Docemente os seus dedos
E caiava as paredes
Da casa limpa e branca

Musa ensina-me o canto
Que me corta a garganta



Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)

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O poema


O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Com o rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo



Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto


 

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